Migração do NCEP para o formato GRIB2

Todos que mexem com modelagem numérica em meteorologia já devem ter ouvido falar do NCEP/NOAA (National Centers for Environmental Prediction / National Oceanic and Atmospheric Administration), que é o órgão "oficial" de modelagem para previsão de tempo e clima dos EUA.

Desde o primeiro semestre de 2008, o NCEP tomou a decisão de atualizar aos poucos o sistema de armazenamento e difusão de produtos de observação, tempo e clima. O plano de atualização incluia mudanças relativas à rede interna e externa, máquinas, serviços e formatos de armazenamento e distribuição de dados. Uma das mudanças marcadas para o começo de 2009 era a atualização dos produtos de seus modelos para o formato GRIB2, atual formato padrão da WMO (Organização Meteorológica Mundial) para dados espaçados em formato de grade. Esta migração já está em curso e desse ser completada ainda nesse mês.

A migração para este novo formato está em curso em todos os grandes centros do mundo, apesar deste formato ser em grande parte incompatível com aplicações que usem o formato anterior (GRIB1), e portanto requerer uma conversão para que os produtos continuem sendo utilizados por estas aplicações.


GRIB2

Há anos a WMO vem ditando os formatos padrões de distribuição e armazenamento de dados de meteorologia, seja para dados observados como para dados previstos de tempo e clima.

Desde 1985, o formato GRIB (GRIdded Binary) tem sido o formato padrão adotado para a transmissão de dados espaçados em formato de grade, com várias vantagens, por exemplo o tamanho reduzido (devido a uma compactação intrínseca à codificação dos dados). Em novembro de 2001, após dois anos de testes e validações, a WMO aprovou o padrão GRIB2, que seria uma evolução do padrão anterior (agora conhecido como GRIB1), mas nos mesmos moldes de codificação interna.

Em termos gerais, a grande diferença entre GRIB1 e GRIB2 é a flexibilidade e compactação do último. Uma desvantagem no uso do GRIB1 era a sua dificuldade ao lidar com previsões por conjunto (ensembles), dados complexos de clima e dados espectrais. O novo formato agrega soluções para esses problemas dentro da própria codificação, além de uma maior compressão dos dados e ser modular, tornando fácil acrescentar características sem a necessidade de fazer atualizações de software.

Em resumo, o GRIB2 é um novo formato que traz maiores possibilidades para o armazenamento e transmissão de dados meteorológicos, ocupando pelo menos a metade do tamanho que um arquivo GRIB1, ou seja, com maior facilidade para ser transferido pela Internet.

Apesar de terem uma codificação baseada no mesmo princípio, os formatos GRIB1 e GRIB2 não são inteiramente compatíveis. Aplicações de GRIB1 não podem acessar GRIB2, enquanto que aplicações GRIB2 não necessariamente podem ser capazes de ler GRIB1. Existem vários conversores disponíveis para fazer esta mudança de formato, como o cvngrib. Uma lista de codificadores, decodificadores e conversores de e para GRIB2 pode ser encontrada em http://www.nco.ncep.noaa.gov/pmb/codes/GRIB2

Uma explicação técnica sobre a codificação de GRIB1 e GRIB2 pode ser encontrada nos links abaixo:
http://www.nws.noaa.gov/tdl/iwt/grib2/GRIB.427.pdf
http://www.wmo.ch/pages/prog/www/WMOCodes/Guides/GRIB/Introduction_GRIB1-GRIB2.pdf
Criando GRIB no GrADS

Um comentário:

Rafael (UFSM) disse...

Muito interessante seu blog. Proporciona uma leitura agradável sobre meteorologia.