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Twitter combina com meteorologia?

Postado por Tozzi

Tem bem pouco tempo que parei de resistir ao microblogging, ou seja, os twitters da vida. Sinceramente acho uma ferramenta meio limitada (por definição!), mas com um potencial viral muito grande.

Aí vem a grande pergunta: será que a meteorologia tem como se beneficiar dessa ferramenta?

Com uma rápida busca achei um site conceitual bem simples e que dá medo a qualquer meteorologista. Um bom meteorologista precisa de N campos e informações de previsão de tempo, mais toda uma bagagem e experiência para responder a pergunta mais importante de nossa ciência: VAI CHOVER?

No site Será que vai chover? você nem precisa dizer sua cidade para ele "adivinhar" e responder SIM ou NÃO, para hoje e para os próximos dias. O microblogging aí entra na objetividade da informação e na possibilidade de jogar essa previsão no seu twitter EM UM CLIQUE.


Por trabalhar na área, há anos eu aprendi a não confiar muito em toda essa objetividade de CHOVE ou NÃO CHOVE... Prefiro algo mais com probabilidade, mas o conceito é bem interessante se fosse mais bem aproveitado, né?

Um uso legal do Twitter é também no feedback dos seus produtos. Em meteorologia e previsão de tempo tem um exemplo bem legal da Simple Weather (mais um clone do Weather Channel...), onde é possível pedir pelo twitter a inclusão de novas cidades no sistema. Não tem jeito mais facil de saber o que o cliente quer!

Um uso que movimentou a mídia no começo do ano foi o caso da nevasca na Inglaterra, onde posts de twitter foram utilizados para monitorar a ocorrência e a intensidade da nevasca. Foi um case bem legal, mas não acho que dê para usar estas informações de forma científica, para previsão de tempo mesmo. É bom para difundir a ciência e ajudar a sociedade a participar, mas quem garante que uma pessoa não mentiu? Ou mesmo que não deu a informação errada sem querer?

Bem, só o tempo vai dizer o quanto o Twitter vai influenciar nossas vidas de internautas e de profissionais de meteorologia. Por enquanto um bom twitter de previsão é o Twitter da RadarMet. E você pode também me acompanhar em http://twitter.com/luiztozzi!

Matéria de variabilidade climática no mestrado

Postado por Tozzi

Nesse período do mestrado eu fiz uma matéria na Meteorologia chamada Variabilidade Climática. A matéria, apesar de ser bem longa e complexa, foi bem interessante e me acrescentou muito profissionalmente.

Como cientistas, nós não podemos ver a ciência apenas como números, equações, grades e experimentos. Temos que ver a ciência aplicada na vida cotidiana e toda essa mobilização em torno das mudanças climáticas, IPCC, cenários e etc tem sido bem interessante para nossa formação como meteorologistas.

Estou colocando abaixo algumas apresentações da última metade do curso, sobre as mudanças climáticas. O material é todo da professora Claudine Dereczynski, do departamento de Meteorologia da UFRJ.

  • Mudanças_Climaticas_Globais_060808.ppt

  • Unidade2_Técnicas_Reconstrução_Climas_Passados.ppt

  • Unidade4_Variabilidade_Natural.ppt

  • Unidade5_Negociações_Internacionais.ppt


  • Este material cobre desde os protocolos internacionais até detalhes sobre as técnicas de reconstrução de climas passados. É um material bem abrangente.

    A outra metade do curso, ministrada pela professora Maria Gertrudes Justi, será colocada em breve num post à parte. O tema era sobre as oscilações que regem a variabilidade climática.

    Vale a pena dar uma boa olhada neste material (o ideal é ouvir a explicação também, claro...).

    Migração do NCEP para o formato GRIB2

    Postado por Tozzi

    Todos que mexem com modelagem numérica em meteorologia já devem ter ouvido falar do NCEP/NOAA (National Centers for Environmental Prediction / National Oceanic and Atmospheric Administration), que é o órgão "oficial" de modelagem para previsão de tempo e clima dos EUA.

    Desde o primeiro semestre de 2008, o NCEP tomou a decisão de atualizar aos poucos o sistema de armazenamento e difusão de produtos de observação, tempo e clima. O plano de atualização incluia mudanças relativas à rede interna e externa, máquinas, serviços e formatos de armazenamento e distribuição de dados. Uma das mudanças marcadas para o começo de 2009 era a atualização dos produtos de seus modelos para o formato GRIB2, atual formato padrão da WMO (Organização Meteorológica Mundial) para dados espaçados em formato de grade. Esta migração já está em curso e desse ser completada ainda nesse mês.

    A migração para este novo formato está em curso em todos os grandes centros do mundo, apesar deste formato ser em grande parte incompatível com aplicações que usem o formato anterior (GRIB1), e portanto requerer uma conversão para que os produtos continuem sendo utilizados por estas aplicações.


    GRIB2

    Há anos a WMO vem ditando os formatos padrões de distribuição e armazenamento de dados de meteorologia, seja para dados observados como para dados previstos de tempo e clima.

    Desde 1985, o formato GRIB (GRIdded Binary) tem sido o formato padrão adotado para a transmissão de dados espaçados em formato de grade, com várias vantagens, por exemplo o tamanho reduzido (devido a uma compactação intrínseca à codificação dos dados). Em novembro de 2001, após dois anos de testes e validações, a WMO aprovou o padrão GRIB2, que seria uma evolução do padrão anterior (agora conhecido como GRIB1), mas nos mesmos moldes de codificação interna.

    Em termos gerais, a grande diferença entre GRIB1 e GRIB2 é a flexibilidade e compactação do último. Uma desvantagem no uso do GRIB1 era a sua dificuldade ao lidar com previsões por conjunto (ensembles), dados complexos de clima e dados espectrais. O novo formato agrega soluções para esses problemas dentro da própria codificação, além de uma maior compressão dos dados e ser modular, tornando fácil acrescentar características sem a necessidade de fazer atualizações de software.

    Em resumo, o GRIB2 é um novo formato que traz maiores possibilidades para o armazenamento e transmissão de dados meteorológicos, ocupando pelo menos a metade do tamanho que um arquivo GRIB1, ou seja, com maior facilidade para ser transferido pela Internet.

    Apesar de terem uma codificação baseada no mesmo princípio, os formatos GRIB1 e GRIB2 não são inteiramente compatíveis. Aplicações de GRIB1 não podem acessar GRIB2, enquanto que aplicações GRIB2 não necessariamente podem ser capazes de ler GRIB1. Existem vários conversores disponíveis para fazer esta mudança de formato, como o cvngrib. Uma lista de codificadores, decodificadores e conversores de e para GRIB2 pode ser encontrada em http://www.nco.ncep.noaa.gov/pmb/codes/GRIB2

    Uma explicação técnica sobre a codificação de GRIB1 e GRIB2 pode ser encontrada nos links abaixo:
    http://www.nws.noaa.gov/tdl/iwt/grib2/GRIB.427.pdf
    http://www.wmo.ch/pages/prog/www/WMOCodes/Guides/GRIB/Introduction_GRIB1-GRIB2.pdf
    Criando GRIB no GrADS