Filas

Dizem que grande parte das nossas vidas é passada dormindo, mas estou começando a achar que a maioria das pessoas passa mais tempo em filas do que em colchões.

Tipos de filas é o que mais tem, desde filas pequenas e quase inexistentes (como a fila para entrar no ônibus ou metrô num horário de pico) até as mais absurdas (como aquelas de grandes eventos ou para entrar naquele restaurante em que você esqueceu de fazer reserva).

Filas sempre existirão, mas às vezes eu não entendo a reação das pessoas. Parece que elas já se acostumaram a isso.

Um dia ao ir pegar um vôo RJ-SP eu, que não sou bobo nem nada, fiz o webcheckin da Gol para evitar filas. Chegando no aeroporto, eu não sabia em que fila entrar então entrei na primeira que apareceu e aguardei um funcionário da empresa para tirar a dúvida.

Ao chegar ele explicou que eu não precisava ficar nessa fila (que era imensa... eu demorei uns 5 minutos para andar e passar a fila toda a pé!!), que eu tinha uma fila exclusiva e bem pequena por ter feito o webcheckin. Enquanto eu saia da fila, o atendente da Gol perguntou para um rapaz na minha frente o porque que ele não tinha feito também o checkin em casa, tirando onda da cara dele. A resposta dele eu lembro bem: "Tanto faz, eu fico em fila o dia todo mesmo".

Acho que o problema da fila não é a fila em si, mas como nós a encaramos. Esse rapaz na minha frente já estava totalmente acomodado com a idéia de que viajar de avião significava pegar duas a três horas de fila de checkin. Eu não. Saí daquela fila e fui para um guichê que tinha APENAS UMA PESSOA! Fui atendido em menos de 10 minutos.

Dei sorte? Fui esperto? Não sei, só sei que eu não nasci para ficar numa fila, ser mais entre duas pessoas, numa longa lista onde às vezes até esquecemos o que viemos fazer.

Que ironia!!

Estava eu a ler meus feeds diários, quando resolvi entrar no site da Carta Capital. Não que eu seja de esquerda, tampouco de direita, mas gosto de me divertir com as ironias e alfinetadas (nem sempre sutis) de ambas as partes. Por isso, navego entre tantas diferentes páginas de jornalões e jornalecos.

Para quem não sabe, a Carta Capital é um importante veículo de esquerda que vive em pé de guerra com publicações como a Veja. Não tenho nada contra quem gosta, mas devo dizer que não me sinto à vontade com nenhum dos extremos. Justamente porque são extremos. Nenhuma destas publicações encontrou o "caminho do meio", o equilíbrio. Enquanto uma defende interesses escusos, outra fala de mais-valia e por aí vai.

Mas hoje, uma coisa me fez pensar no porquê que devemos ser extremamente humildes quando opinamos sobre qualquer coisa. Uma das páginas do site da Carta Capital estava assim:


Não é ironia demais pensar que o que você mais critica, a futilidade e a falta de informação da população, está impregnado no seu conteúdo?